A Ciranda

A ciranda, conhecida dança de roda, é tradição em diversos cantos de nosso Brasil. No Nordeste ela é praticada no litoral dos estados de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte. Em Paraty, cidade sul fluminense, a ciranda que encanta moradores e visitantes reflete a origem cultural caiçara com traços expressivos da colonização brasileira. Remete às danças europeias de salão e às palmas e batidas indígenas.

Nesse cenário, ressaltam-se hábitos culturais comuns que unem as diversas comunidades do universo caiçara que vai pelo litoral sul do Rio de Janeiro ao norte do Paraná. Dentre eles as danças e músicas típicas, que recebem nomes diferentes de acordo com a região, mas possuem características semelhantes. Destacam-se os nomes fandango e ciranda, que na verdade se desdobram em outras danças, como as chamarritas e os dandãos no caso do fandango e o arara, a canoa e o caranguejo no caso da ciranda, entre muitos outros.

São patrimônios passados dos pais para os filhos que demonstram que mesmo vivendo em um pequeno espaço de terra, terra cobiçada e que ainda no século 21 vive com problemas de legalização para seus verdadeiros donos, tem a força de uma cultura que passa pela contribuição de grupos indígenas, portugueses e africanos.

Os ritmos das diversas miudezas – danças e canções que compõe o repertório – vão do lento ao rápido. Ainda segundo os autores do livro “Vamos indo na Ciranda”, Antonio Eugênio dos Nascimento, Pedro José de Bulhões Netto e Simone Ferreira Bulhões, “canções que vão de um quase samba a um quase valseado, passando pela marcha de quadrilha junina executado dentro de um compasso desacelerado pelo ponteio da viola.”

Para pesquisadores a música caiçara é uma fusão de estilos que vai dos minuetos trazidos pelos colonizadores espanhóis aos ritos indígenas e árabes. A tradição, segundo os mestres ou coroas como são conhecidos na região, manda que os músicos cirandeiros formem um grupo dos seguintes instrumentos: viola, rabeca, pandeiro e tamancos mas o mundo mudou e foram incorporados outros instrumentos como o violão, cavaquinho, adufo o mancado – caixote de madeira utilizado pelo percussionista para marcar o batuque. O ritmo é criado pelas mãos “calçadas” por tamancos pelo músico que executa o batuque.

Os adulfos, espécie de pandeiros quadrados sem os discos de metal, foram substituídos por pandeiros modernos mas ainda há quem os fabrique de forma tradicional na região. Mas as letras, ah! As letras, essas mantêm toda a força de quando foram criadas. São letras que embalam os casais e apesar de uma certa surrealidade, cantam os bichos e o jeito de viver dos homens e mulheres caiçaras.

Ciranda e as Festas

Muitas das festas brasileiras são extensões dos dias consagrados aos santos católicos. Festa de São João para homenagear São João, Festa do Divino para homenagear o Espírito Santo, festa de Santo Antônio para homenagear Santo Antônio, e são organizadas pela comunidade ou Irmandades. Na cultura caiçara além das festas religiosas, haviam festas onde se tocavam as cirandas e as xibas, que duravam a noite inteira e que comemorando a boa colheita ou a boa pesca, cantavam a vida. Hoje vários grupos de cirandeiros são vistos nas ruas e pousadas da cidade. Eles se apresentam para grupos de estudantes e turistas e animam várias festas oficiais.

Segundo a autora Marina de Mello e Souza, em seu livro “Paraty, a cidade e as festas”, o capítulo sobre o tema abre contando sobre “um morador da cidade nascido em 1910, filho e neto de paratienses, gostava de começar a falar de suas lembranças dizendo que Paraty é a cidade das festas (…)” (Paraty, a cidade e as festas, Ed. Ouro sobre Azul, pág. 150).

Oriunda da zona rural ou sertão, a xiba quando veio para a cidade de Paraty mudou de nome, virou ciranda, e passou a animar as festas juninas. Para os autores do livro “Vamos indo na Ciranda”, Antonio Eugênio dos Nascimento, Pedro José de Bulhões Netto e Simone Ferreira Bulhões, a ciranda se dança formando uma roda ou fila de casais. E a festa noturna segue uma ordem com os músicos tocando a xiba, cana-verde, caranguejo, marrafa, flor do mar, limão, arara, chapéu, caboco véio, fechando com tontinha.

São festas realizadas nos quintais e casas comunitárias e muitos homens ainda carregam os tamancos de madeira de laranjeira que auxiliam na percussão da música. Saias rodadas de chita com enormes flores escodem/mostram a feminilidade e fica no ar um gosto de namoro, de flerte, de festejar a vida em torno da roda da ciranda.

2 Respostas para “A Ciranda

  1. sariane frota

    meu pai briga ate hj na justiça pelas terra
    em paraty mais e dificil retomar o que e da familia gostaria de saber se vcs sabem algumas coisas sobre os donos de paraty.

  2. Arianne dos Santos Ferreira

    Boa noite
    Gostaria de saber como faço para conseguir as músicas do CD de ciranda de Paraty. Estou querendo fazer uma apresentação na escola com a música caranguejo e não estou conseguindo a mesma. Aguardo e agradeço desde já.

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